Teatropolitico60

Documentário sobre Teatro Político em Curitiba será exibido no Cinema do Museu da República, Rio de Janeiro

Posted in Índice by teatropolitico60 on 17/01/2011

O documentário “Teatro Político, uma história de utopia” será exibido no dia 20 de janeiro no Cinema do Museu da República no Rio de Janeiro. O documentário conta a história do movimento de teatro político na Curitiba dos anos 60 liderado  por estudantes , lideres do movimento estudantil, artistas e intelectuais. E na sua última etapa , em 1962, passa a ser mais um dos Centros Populares de Cultura da UNE, idealizados por   Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha, que desejava fazer um teatro nacional popular. Apoiados pelo Governo João Goulart, estudantes e artistas, através do projeto UNE Volante, viajam o Brasil inteiro com dois objetivos: debater a Reforma Universitária e formar por todo o Brasil os CPCs da UNE. Aqui em Curitiba os integrantes do  mesmo grupo que desde 1959 já fazia teatro político pelas ruas da cidade aceitam a missão e forma mo Centro Popular de Cultura da UNE paranaense, e inovam ao aliar o  teatro de bonecos com a alfabetização de adultos.

Por este motivo nosso filme fará parte da Bienal da UNE durante a  Mostra em Comemoração aos 50 anos do Centro Popular de Cultura da UNE.

Com 12 anos de idade e chegando à sua sétima edição, a Bienal da UNE se consolida hoje como o principal encontro da juventude brasileira. A 7ª Bienal terá como sede a cidade do Rio de Janeiro. Suas atividades serão realizadas entre os dias 18 e 23 de janeiro.Reunir as diversas expressões artísticas, valorizar a identidade nacional e conectar as produções juvenis de todas as regiões do país são algumas das propostas que envolvem este grande projeto, considerado hoje o maior festival estudantil da América Latina.

Se você estiver no Rio, a mostra será dia 20 das 17h ás 19h no Cinema do Museu da República. Avise os amigos!

Site Bienal da UNE http://www.une.org.br/

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une volante – a formação dos centros populares de cultura

Posted in Índice, Espetáculos by teatropolitico60 on 10/05/2010


Cena de leitura do texto do espetáculo “Auto dos 99%”, no Teatro Guaíra, ainda em construção.

Em 1961, Euclides Coelho de Souza (Dadá) foi para o Rio de Janeiro participar da UNE Volante, movimento que se utilizava de ferramentas de teatro (leituras públicas de textos) e projeção de filmes para levar conhecimento político, e saía do Rio para diferentes cidades brasileiras. A intensificação dos trabalhos da UNE e a fundação de outros Centros Populares de Cultura no país deu-se pelo Projeto UNE Volante, que serviu como meio de propagar a discussão sobre a Reforma Universitária, inserida na conjuntura das Reformas de Base do governo João Goulart. A formação do CPC Paraná aconteceu na passagem da UNE Volante por Curitiba no ano de 1962, durante o II Seminário sobre a Reforma Universitária. Na foto acima, integrantes do Centro Popular de Cultura da UNE fazem a leitura da peça “Auto dos 99%”, que tratava sobre a luta por 1/3 da participação estudantil nos colegiados das Universidades.

“Colegas, estudar é um privilégio dos que foram para o colégio às custas do papai e da mamãe. Colegas, nenhum de nós é operário, nenhum de nós é camponês. Estudamos dos salários dos filhos dos operários, dos filhos dos camponeses. Colegas, cabide de emprego, lugar de sossego. O colega, pode crer, o colega há de saber!”
(Trecho do espetáculo “Auto dos 99%” – CPC/UNE).

O projeto “UNE Volante” foi criado na gestão do presidente da UNE, Aldo Arantes, em 1962 (ao centro na foto). Os membros do CPC da UNE, como Vianinha e Carlos Estevam Martins, acompanhavam a caravana para contribuir na agitação e propaganda política e inaugurar novos CPCs pelo país.

“Fizemos a UNE Volante, uma caravana que ia do Rio Grande do Sul a Manaus. Eram vinte e cinco pessoas, vinte integrantes do CPC e cinco dirigentes da UNE. Vianinha, por exemplo viajou comigo o Brasil inteiro. Então nós íamos de cidade em cidade; fazíamos assembléias gerais dos estudantes; reuniões com as lideranças estudantis, os seminários e juntamente a tudo isto apresentávamos as peças de teatro do CPC. Uma delas era o “Auto dos 99%”, que do ponto de vista teatral expressava o conteúdo fundamental do seminário da reforma universitária. Noventa e nove por cento estavam alijados do ensino superior. Enfim, toda a criação do CPC. era, digamos assim, levada aos estudantes (…) O interessante é que foi criando uma expectativa na juventude. E a partir de determinado momento éramos recepcionados nos aeroportos das capitais com grandes caravanas estudantis. Então, o que fazíamos? Nós mobilizávamos os estudantes com a questão da reforma universitária, e consolidávamos as entidades estudantis. Paralelamente, criávamos novos CPCs.”
(ALDO ARANTES em entrevista concedida para Jalusa Barcelos. “CPC da UNE: uma história de paixão e consciência.” Rio de Janeiro – Nova fronteira, 1994).

Em Curitiba, a UNE Volante realizou o II Seminário Nacional de Reforma Universitária:

“Acompanhando a diretoria da União Nacional dos Estudantes, virá a Curitiba o Centro Popular de Cultura da UNE, que tem por missão levar mensagens de justiça social, coadunando-se com as metas a que se propõe a Reforma Universitária. O CPC fará várias apresentações no Teatro Guaíra, sendo a entrada gratuita. O Centro Popular de Cultura da UNE fez várias apresentações no Rio de Janeiro, com peças teatrais de grande alcance, filmes e debates públicos propagando a cultura popular.”
(jornal “O Dia”, 16 de março de 1962. Curitiba).

“Uma das primeiras viagens da UNE Volante foi a Curitiba, eu fui junto e posso testemunhar que ela atraía, basicamente, a massa dos estudantes. Aliás, esse era o objetivo: conseguir juntar o máximo possível de estudantes em cada cidade. Em Curitiba, lembro-me que fizemos o nosso primeiro ensaio de texto em público. Nós levamos o texto “Auto dos 99%”, mas nunca tínhamos ensaiado. Então nossa apresentação foi ensaio mesmo. Foi com papel na mão, todo mundo lendo. E o fantástico é que funcionou perfeitamente. Então, o CPC tinha esse lado de liberdade, de você chegar e mostrar para o público uma simples leitura de texto. Mas a gente fazia também outras coisas para agradar o público. O fato de o CPC ser heterogêneo é que dava essa bossa. Num dia você exibia filmes, no outro tinha música, e no outro então tinha leitura ou encenação de peça.”
(Carlos Estevam Martins em entrevista concedida para Jalusa Barcelos. “CPC da UNE: uma história de paixão e consciência.” Rio de Janeiro – Nova fronteira, 1994).