Teatropolitico60

une volante – a formação dos centros populares de cultura

Posted in Índice, Espetáculos by teatropolitico60 on 10/05/2010


Cena de leitura do texto do espetáculo “Auto dos 99%”, no Teatro Guaíra, ainda em construção.

Em 1961, Euclides Coelho de Souza (Dadá) foi para o Rio de Janeiro participar da UNE Volante, movimento que se utilizava de ferramentas de teatro (leituras públicas de textos) e projeção de filmes para levar conhecimento político, e saía do Rio para diferentes cidades brasileiras. A intensificação dos trabalhos da UNE e a fundação de outros Centros Populares de Cultura no país deu-se pelo Projeto UNE Volante, que serviu como meio de propagar a discussão sobre a Reforma Universitária, inserida na conjuntura das Reformas de Base do governo João Goulart. A formação do CPC Paraná aconteceu na passagem da UNE Volante por Curitiba no ano de 1962, durante o II Seminário sobre a Reforma Universitária. Na foto acima, integrantes do Centro Popular de Cultura da UNE fazem a leitura da peça “Auto dos 99%”, que tratava sobre a luta por 1/3 da participação estudantil nos colegiados das Universidades.

“Colegas, estudar é um privilégio dos que foram para o colégio às custas do papai e da mamãe. Colegas, nenhum de nós é operário, nenhum de nós é camponês. Estudamos dos salários dos filhos dos operários, dos filhos dos camponeses. Colegas, cabide de emprego, lugar de sossego. O colega, pode crer, o colega há de saber!”
(Trecho do espetáculo “Auto dos 99%” – CPC/UNE).

O projeto “UNE Volante” foi criado na gestão do presidente da UNE, Aldo Arantes, em 1962 (ao centro na foto). Os membros do CPC da UNE, como Vianinha e Carlos Estevam Martins, acompanhavam a caravana para contribuir na agitação e propaganda política e inaugurar novos CPCs pelo país.

“Fizemos a UNE Volante, uma caravana que ia do Rio Grande do Sul a Manaus. Eram vinte e cinco pessoas, vinte integrantes do CPC e cinco dirigentes da UNE. Vianinha, por exemplo viajou comigo o Brasil inteiro. Então nós íamos de cidade em cidade; fazíamos assembléias gerais dos estudantes; reuniões com as lideranças estudantis, os seminários e juntamente a tudo isto apresentávamos as peças de teatro do CPC. Uma delas era o “Auto dos 99%”, que do ponto de vista teatral expressava o conteúdo fundamental do seminário da reforma universitária. Noventa e nove por cento estavam alijados do ensino superior. Enfim, toda a criação do CPC. era, digamos assim, levada aos estudantes (…) O interessante é que foi criando uma expectativa na juventude. E a partir de determinado momento éramos recepcionados nos aeroportos das capitais com grandes caravanas estudantis. Então, o que fazíamos? Nós mobilizávamos os estudantes com a questão da reforma universitária, e consolidávamos as entidades estudantis. Paralelamente, criávamos novos CPCs.”
(ALDO ARANTES em entrevista concedida para Jalusa Barcelos. “CPC da UNE: uma história de paixão e consciência.” Rio de Janeiro – Nova fronteira, 1994).

Em Curitiba, a UNE Volante realizou o II Seminário Nacional de Reforma Universitária:

“Acompanhando a diretoria da União Nacional dos Estudantes, virá a Curitiba o Centro Popular de Cultura da UNE, que tem por missão levar mensagens de justiça social, coadunando-se com as metas a que se propõe a Reforma Universitária. O CPC fará várias apresentações no Teatro Guaíra, sendo a entrada gratuita. O Centro Popular de Cultura da UNE fez várias apresentações no Rio de Janeiro, com peças teatrais de grande alcance, filmes e debates públicos propagando a cultura popular.”
(jornal “O Dia”, 16 de março de 1962. Curitiba).

“Uma das primeiras viagens da UNE Volante foi a Curitiba, eu fui junto e posso testemunhar que ela atraía, basicamente, a massa dos estudantes. Aliás, esse era o objetivo: conseguir juntar o máximo possível de estudantes em cada cidade. Em Curitiba, lembro-me que fizemos o nosso primeiro ensaio de texto em público. Nós levamos o texto “Auto dos 99%”, mas nunca tínhamos ensaiado. Então nossa apresentação foi ensaio mesmo. Foi com papel na mão, todo mundo lendo. E o fantástico é que funcionou perfeitamente. Então, o CPC tinha esse lado de liberdade, de você chegar e mostrar para o público uma simples leitura de texto. Mas a gente fazia também outras coisas para agradar o público. O fato de o CPC ser heterogêneo é que dava essa bossa. Num dia você exibia filmes, no outro tinha música, e no outro então tinha leitura ou encenação de peça.”
(Carlos Estevam Martins em entrevista concedida para Jalusa Barcelos. “CPC da UNE: uma história de paixão e consciência.” Rio de Janeiro – Nova fronteira, 1994).

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: